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Critica de
Marcus Lontra Publicada no correio Brasiliense
mostra individual de gravuras de Arnaldo Battaglini.
ITAÚ GALERIA - Brasília - Agosto 1989
"A Gravura como exercício
de sedução"
"Arnaldo Battaglini une
a simplicidade ao exercício da beleza gravuras
que expõe na Galeria Itaú"
De tempos em tempos surge uma
teoria ou mesmo um movimento que assegura a morte de arte. E
o que vemos é que, passada a euforia da novidade, as técnicas
tradicionais de manifestação artísticas
permanecem vivas e despertando interesse
Os anos 80 assinalaram o retorno das relações entre
as práticas artesianas e as elaborações
de ordem conceitual. Isso permitiu o retorno da pintura e da
gravura ao centro das discussões, opção
corajosa, ponte a ligar o passado e o presente.
Mas, se a pintura vem sendo incensada pelos meios de comunicação
e principalmente pelo mercado de arte, a gravura parece esquecida.
A verdade é que, apesar do pouco investimento comercial
a ela dedicado, a gravura continua a despertar a atenção
de vários artistas que a ela se dedicam reelaborando seus
discursos estéticos através do instrumental que
acompanha a vida do homem sobre a terra há mais de 500
anos.
A mostra de Arnaldo Battaglini, na Galeria Itaú, é
um dos mais eloquentes exemplos da vitalidade da gravura em metal
brasileira.. Paulista , 36 anos, ele
estudou em Londres e desenvolve atividades didáticas em
São Paulo com desenho e pintura, porém é
na gravura que o artista vê a síntese de sua ação;
as pequenas formas, linhas e planos, harmonizam-se nos silenciosos
espaços de sua obra. Há na verdade, clareza de
método, uma evidência na pesquisa que parece de
chapas recortadas que armam no espaço oferecido pelo suporte
em permanente diálogo com a linha tradicional criada através
da impressão com arame, técnica não tradicional,
que vem permitindo ao artista obter resultado de valor estético.
Arnaldo determina o seu repertório formal que vai encontrar
origens nas colagens de Matisse, na sensualidade das curvas
das áreas chapadas, ao mesmo tempo que acrescenta formas
orgânicas, elaboradas de maneira simples, direta e
Contundente. A figura humana está presente, seja em evidência
ou por sugestão. Em alguns casos o artista a trabalha
pelo contorno das linhas, sintetizando as pesquisas que relacionam
o gráfico e a cor, a inteligência e a sensibilidade.
Trata-se de um artista de com um perfeito domínio de técnica
: isso, no entanto, não o transforma num virtuoso - perigo
onde tombam vários artistas gravadores.
Arnaldo trabalha tendo por meta a simplicidade e a clareza sem
perder em nenhum momento uma certa elegância, um investimento
na arte como exercício de sedução e de beleza..
O caráter intimista da técnica reforçado
pela opção do artista. Aqui não há
espaço para a vibração expressionista, esse
não é o mundo da multidão, da gritaria,
o artista afirma que a inteligência caminha paralela à
clareza; a obra de Arnaldo é um exercício que pesquisa
relações de arte harmônicas, em concórdia
com a vida. A relação figurativa estabelece -se
a partir de uma espécies de otimismo humanista que aflora
na sua produção. Arnaldo parece acreditar que apesar
de tudo ainda há uma esperança, ainda haverá
futuro. Nada mais natural portanto que ele não mergulhe
no universo tenso e desesperado da crise da arte nesta virada
de século ao mesmo tempo que recuse a esterilidade fria
e já convencional da geometria. Há, além
de tudo mais: a essência da arte de Arnaldo Battaglini
evidencia a sua disposição em unir a tradição
objetiva da modernidade com aspectos da fantasia, da criação
e da subjetividade. A arte, enfim só se explica e justifica
para o mundo enquanto ela for um instrumento de libertação,
enquanto for um exercício permanente da dúvida,
enquanto uma revelação. Mário Pedrosa já
nos ensinou que "de nada adiantará a revolução
econômica e social se ela não vier acompanhada da
revolução da sensibilidade". |